Cartas conjugais de amor
que não te escreva, endereçada ao céu,
uma carta amorosa, em teu louvor,
como jamais no mundo se escreveu!
Chamo-te pura como as açucenas
e linda como as Virgens de marfim,
esposa minha de feições serenas
que para o céu partiste antes de mim.
Há seis dezenas de anos que te mando
cartas de amor, agora reatadas
e sobre a tua campa colocadas.
Como eu te prometi que assim faria,
nunca deixei de te escrever um dia,
um dia só que fosse, te endeusando!
João de Castro Nunes
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