“Terras do demo”
A tudo que era reles, sujo e vil
com tua pena deste luta atroz:
teve mais peso e força a tua voz
do que um petardo ou bala de fuzil.
Com teu estilo agreste e virulento
e teu rijo arcaboiço de beirão
quebraste sem ter dó nem compaixão
os hórridos grilhões do pensamento.
Nunca ninguém te fez dobrar a espinha,
nunca vendeste a tua consciência
a troco de medalha ou louvaminha.
O ideal que incendiou tua existência
foi que todo o país, de extremo a extremo,
não fosse uma infernal “terra do demo”!
João
de Castro Nunes
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