terça-feira, 14 de fevereiro de 2012


                                     Beatrice


                   É no soneto que me realizo
                   inteiramente, à minha dimensão,
                   é no soneto, sem qualquer senão,
                   que atinjo a perfeição, no meu juízo.


                   Nos seus catorze versos rivalizo,
                   tanto no ritmo como na expressão,
                   com tantos outros vates de eleição        
                   de cujas obras-primas me autorizo.


                   Tudo me serve para meter nele…
mas de entre tudo quanto se refira
é sobretudo o Amor que me compele.


Só me lamento de não ser Orfeu
para me ouvindo Deus, ao som da lira,
me autorizar por pena a ir vê-la ao céu!


            João de Castro Nunes





                  







                   

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