Ode extravagante
marquês ou duque, não sei bem ao certo,
num reino situado não sei onde,
sem me lembrar se fica longe ou perto.
Em velho pergaminho de bezerro
mandei pintar o meu brasão a cores,
predominando o ouro, se não erro,
peculiar dos meus predecessores.
Com pedras de ilusão fiz os meus paços
dentro de cujos muros sinto os passos
de trinta gerações antes de mim.
De sonhos vou vivendo deste modo
por forma a evitar sujar no lodo
o meu fantasiado manequim!
João
de Castro Nunes
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