Massa
cinzenta
(Ode teilhardiana)
face ao mundo
dos astros e não só,
sou tanto como nada, uma mão cheia
de coisa alguma, um átomo de pó.
“Bicho da terra”me chamou Camões:
na condição de humana criatura,
em que lugar, Senhor! é que me pões
na tua sigilar… nomenclatura?
Admito que não sou nada que preste;
em todo o caso, pelo pensamento,
a ti me elevo em menos de um momento!
Pasmado ante “o silêncio das estrelas”,
tenho o condão de estar acima delas
pela massa cinzenta que me deste!
João
de Castro Nunes
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