La mort en rose
Em paz estavas no caixão
deitada
como se já no céu tu estivesses
e como se, por isso, já
tivesses
o rosto de uma bem-aventurada.
Ao ver-te ali serena, embora
fria,
a morte, amor, se me afigura doce;
quem me dera que assim a minha
fosse
como a tua se deu, sem agonia!
Só que eu não tenho a alma dos
eleitos,
a alma pura como foi a tua,
imaculada, sem quaisquer
defeitos.
Ouve-me pois, amor, em
confissão
e dá-me penitência dura e crua
para eu ter paz também no meu
caixão!
João de Castro Nunes
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