sexta-feira, 2 de março de 2012


                        “As pedras e as palavras”


                   As pedras, os calhaus que enchem os montes,
                   são, por assim dizer, os alfarrábios
                   que constituem, para certos sábios,
sobre a história da terra as suas fontes.


 São livros de uma imensa biblioteca
em caractéres que nem toda a gente
consegue soletrar minimamente
numa leitura de expressão correcta.


Já para os cientistas na matéria
favas contadas são sua leitura
numa interpretação segura e séria.


Comprazem-se, além disso, a folhear
essa peculiar… literatura
como um epicurista ante um manjar!


            João de Castro Nunes




2 comentários:

  1. Se ninguém ensina o ensinador
    O que irá ele ensinar?
    Que terá ele aprendido,
    Desidratado, em alto mar?

    Que os livros são solidão
    Que as bibliotecas são p`ra estar
    Que sabendo ler ou não
    Há muito pouco para ensinar

    Que o sol é a pique fundo
    Que o barquinho é de papel
    Que ninguém sabe, no mundo,
    O que, sozinho, só sabe ele.

    Que as ondas são de vento
    Que as noites são de frio
    Que não é pelo lamento
    Que o barquinho volta ao rio...

    Que a palavra fora do traço
    Perde a bússola de ser norte
    Que o sal é do cansaço
    Que o tempo é lei da morte.

    Quem ensina o ensinador
    A soletrar o coração?
    Quem ensina o criador
    A estancar a criação?

    :)

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  2. Ante a sua inspiração
    meto a viola no saco
    para evitar discussão
    entre amigos, taco a taco!

    JCN

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