Antípodas
“Tudo é cousas”
Fernando Pessoa
Gosto do céu porque ele é infinito,
gosto de tudo o que é maior do que eu,
do espaço sem limites, do granito
que mais do que ele nunca alguém viveu.
Gosto do que é eterno como Deus
com quem um dia me confundirei,
passando a ser idênticos aos seus
os atributos que eu… assumirei.
Formando um corpo só numa alma só,
farei parte integrante do universo
sem princípio nem fim, verso ou reverso.
Gosto de me sentir bastante acima
de simples “cousa” a desfazer-se em pó,
que do vazio ou nada se aproxima!
João de Castro Nunes
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