Real presença
Sinto-te ao pé de mim fisicamente,
mãos dadas, lado a lado, no sofá,
como soía ser antigamente
e só quando eu morrer acabará.
É uma presença autêntica, invisível,
que me perturba, envolve, acaricia,
algo cujo contacto perceptível
me faz sentir a tua companhia.
Aspiro o teu odor de santidade
e sem manifestar qualquer revolta
aceito a decisão da divindade.
Contrariamente ao desolado Orfeu,
consola-me saber que à minha volta
o teu amado
ser… permaneceu!
João de Castro Nunes
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