Morrer a dois
Na tua sepultura, meu amor,
não crescerão as ervas, pois não há
dia quase nenhum que eu lá não vá
levar-te pelo menos uma flor!
Com ela deixo lá meu coração
que tanto amor te deu e recebeu,
meu coração que com o teu morreu
e junto ao teu ficou no mesmo chão.
Não me inspira tristeza a tua campa
que só de terra, sem nenhuma tampa,
tem desde logo aspecto de jardim.
Insensíveis às horas que perpassam,
as nossas almas entre si se enlaçam
na paz de Deus que desce sobre mim!
João de Castro
Nunes
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