quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012


                                         Eurídice


                   Deixa, meu Deus, que ela me venha ver
                   por um momento só, que mais não seja,
um breve instante, um bago de cereja
                   que dê para de fome eu não morrer!


                   Permite que ela deixe por minutos
                   o convívio dos anjos que a rodeiam,
                   que a roupa lhe aconchegam, que a penteiam,
que os pés lhe aquecem, conservando enxutos!


Pelo amor que te tenho e que ela teve,
deixa-a vir até mim, que sou teu crente,
por um quinhão de tempo, curto e breve!


Faz-me esse obséquio, atende o meu apelo,
consente que eu a tenha novamente
mesmo que não lhe toque num cabelo!


           João de Castro Nunes

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