quinta-feira, 3 de abril de 2014

          Partículas secretas

           A maneira como Deus
           do nada o mundo tirou
           nunca o disse ou revelou
           nem meso aos próprios hebreus.

           Foi matéria que guardou
           entre os segredos só sseus
          e cuja chave… atirou
          para um buraco dos céus.

         Não vale a pena tentar
         desvendar esse mistério
         que Deus em si quis guardar.

         É remar contra a maré
         é desvairado critério
         ou mesmo ausência de fé!

            João de Castro Nunes

quarta-feira, 2 de abril de 2014


      Acerto de contas

A fim de o tempo enganar
reduzindo a idade a meio,
resolvi não festejar
alguns anos… de permeio.

Assim o tempo não sabe
quantos anos é que tenho,
permitindo que me gabe
da aparência que mantenho.

Feitas as contas no fim
acabarei por ser eu
o grande ludibriado.

Pelo registo arquivado
nos escritórios do céu,
verá quando ao mundo vim!

 João de Castro Nunes


segunda-feira, 31 de março de 2014


                       A recompensa

                  Invejado ninguém foi como tu,
                  Luís Vaz de Camões, mesmo apesar
                  de teu destino ser bastante cru
                  e tua vida um permanente azar.

                  Mas tinhas o que os outros não tiveram,
                  engenho a rodos, farta inspiração,
                  virtudes essas que te mereceram
                  o máximo respeito da nação.

                  A tua verdadeira recompensa
foi teres-te mostrado alto e distante
                  da mediocridade que não pensa.

                  A inveja foi teu prémio: perante isso,
                  teus críticos de espírito rasante
                  acabariam… por levar sumiço!


                       João de Castro Nunes 

domingo, 30 de março de 2014


                     Fata viam inveniunt

A sorte que nos persegue,
                  seja qual for o seu curso,
                  ninguém jamais a consegue
                  desviar do seu percurso.

                  A ventura e a desventura
                  vêm pelo mesmo caminho:
                  a segunda, a que mais dura,
                  na primeira faz seu ninho.

                  Nada adianta mudar
                  de vida, estado ou lugar
                  que ela mantém seu traçado.

                  Aquilo que tem de ser
por assim Deus o querer
não pode ser… alterado!


  João de Castro Nunes                 

sábado, 29 de março de 2014

            Meu canto açucarado

         Andam meus versos, límpidos, selectos,
         de mãos em mãos por terras do Brasil
         onde poucos conhecem meu perfil
         mas com prazer devoram meus sonetos.

         Na boca das mulheres brasileiras
         ganham muito maior sonoridade,
         uma espantosa musicalidade,
         pronunciando as sílabas inteiras.

         Estão-me a pôr ao lado ou mesmo acima
         de Vinicius, Bandeira, de Drumond
         e muitos outros mais da minha estima.

         Sob o pendão da pós-modernidade
         canto o que é nobre, puro, belo e bom
         ou tenha traço algum de santidade!


                  João de Castro Nunes

sexta-feira, 28 de março de 2014

“Horas breves do meu contentamento”

         Os momentos de prazer
         que nos concede a existência
         passam depressa, a correr,
         mais não sendo que aparência.

        Não vale a pena querer
        oferecer resistência
        pois assim terá de ser
        por obra da providência.

       O mal em contrapartida
       como rocha em terra dura
       tem por norma longa vida.

      Tudo aliás se conjura
      para apressar a corrida
     da passageira… ventura!


      João de Castro Nunes
                  Paladares

               Tem o poeta o direito
                a escrever omo quiser;                                
                o que não deve é querer
                verso algum fazer sem jeito.

                Todo o verso, para o ser,
                além de ter um conceito,
                deve causar um efeito
                que a prosa não pode ter.

                 Isto é mais do que evidente
                 sem qualquer necessidade
                 de alguém ser inteligente.

                 Faça contudo o poeta
                 em nome da liberdade
                 o que lhe der na veneta!


                     João de Castro Nunes