O regresso de Orfeu
Sozinho, sem a tua
companhia,
como o Orfeu do mito retomei
a antiga lira e aos ventos espalhei
a minha dor vertida em poesia.
Enquanto nos amámos com paixão,
em êxtase constante, permanente,
para a fazer soar liricamente
não houve a mais pequena ocasião.
Amar tão-só, foi esse o nosso lema,
amar em comunhão, foi o poema
que entre ambos sem palavras redigimos.
Com as saudades que ninguém me tira,
é tempo de outra vez pegar na lira
e eternizar o amor que nós sentimos!
João de Castro Nunes