quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012


                               Arcas fechadas


                   Mais longe cada vez o nosso olhar
                   o céu perfura em busca das estrelas
                   que estão ainda por localizar
                   na perspectiva de chegar a vê-las.

                   Inventam-se para isso cada dia
                   potentes telescópios, cujo alcance
                   faz desde logo com que a astronomia
                   a passos de gigante mais avance.

                   Onde, porém, meus olhos não chegarem
                   há-de chegar  decerto a minha mente
                   mais rápida que a luz… seguramente.

A fim de nossos olhos enxergarem
o que supor nos deixa a inteligência,
                   Deus abra as suas arcas à ciência!

                            João de Castro Nunes
                  
                   

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012



                                   CAEIRO


                   Estás equivocado no que dizes,
                   neste último poema vindo a lume,
                   quanto ao que diz  respeito às directrizes
                   às quais teu pensamento se resume.


                   Se não, vê lá: se escreves com razão
                   que não havia tempo como tal,
                   como entender a tua afirmação
                   de existir um começo e um final?


                   Nas tuas teorias não embarco
                   e por muito respeito que me inspires
                   nada me impede de agitar o charco.


                   Nem tudo é “definido” e “limitado”,
                   Poeta intimamente defraudado
                   por uma simples “cousa” te sentires!


                            João de Castro Nunes


                                              
                   


                                               Emulação


A passo e passo, paulatinamente,
                   vai disputando a Deus o ser humano
                   os seus conhecimentos, cujo arcano
                   era matéria sua… tão somente.


                   Desde o mundo estelar em expansão
                   ao minúsculo verme sob a terra,
                   dia após dia o homem desenterra
                   as leis que regem sua evolução.


                   Não há vocabulário que descreva
                   esta epopeia dos laboratórios,
                   silenciosa,  a dissipar a treva.


                   Camões apenas, se ainda fosse vivo,
                   possuiria os dotes oratórios
                   para imortalizar… este motivo!


                            João de Castro Nunes


                  


                   
 D. Luís da Silveira



Grande embaixada chega à capital
de Carlos V, em terras de Castela:
garbosamente vai à testa dela
o guarda-mor do rei de Portugal!

Veste o senhor de Góis à portuguesa
a fim de impressionar os castelhanos,
austeros, graves, frente aos lusitanos
que gostam de ostentar sua grandeza.

Leva o encargo de em Valhadoli
apalavrar a boda das irmãs
de ambos os soberanos entre si.

Saiu-se bem; agradecendo ao céu,
ei-lo com seus brasões e lorigãs
ajoelhado sobre o mausoléu!

João de Castro Nunes





 MI - KA - EL

(“Quem como Deus?”)

Ao Dr. Joaquim de Montezuma de Carvalho,
cujo neto recém-nascido tem no nome a bênção do
Altíssimo.                         
                  
                  
                   Feliz quem no seu nome tem inscrito
                   no fim ou no começo, pouco importa,
                   como se fosse em mármore ou granito,
                   o hebraico radical que Deus comporta!


                   Quando a Virgem Maria engravidou,
                   Eloim fez-lhe saber por Gabriel
                   que devido a ser Ele que o gerou
                   pusesse ao Filho o nome Emanuel.


                   Onomasticamente quem possui
                   EL em seu nome, como o próprio Deus,
                   das suas boas graças… usufrui.


                   Sendo Miguel o guardião dos céus,
                   quem cá na terra assim se denomina
                   tem garantida a protecção divina!


                               João de Castro Nunes

                                         Porca miséria!


                        Tive  um sonho na vida que uma bala
de frustrado assassino me estragou,
montando-se depois uma cabala
para o salvar do mal que praticou.


Era filho do lente a quem devia
eu suceder depois de doutorado,
só que para livrá-lo da enxovia
fazia falta um clínico atestado.


Era preciso dá-lo como tolo,
um tresloucado, o que, com certo dolo,
fez um sujeito, alguém… na presunção


de eu ser posto de parte simplesmente
em seu proveito... por compensação,
conforme comentava toda a gente!


             João de Castro Nunes







                       Editorial


Para que Portugal, em nossos dias,
se recupere e se coloque ao lado
de qualquer outro progressivo Estado
tem de alterar seu nível de chefias.


O mal está, não na população,
sujeita aos sacrifícios mais extremos,
mas nos banais políticos que temos
e que estão dando cabo da nação.


Em vez de ocasionais oportunistas
à frente dos destinos do país
que tem todo o direito a ser feliz,


fazem-nos falta os grandes Estadistas
capazes de fazer de Portugal
uma nação moderna e actual!


João de Castro Nunes