Em cada capitel, cada coluna
de igreja ou catedral, em cada areia
do vasto litoral, em cada duna,
em cada fortaleza, em cada ameia;
em cada seixo, trabalhado ou não
pelo homem primitivo das cavernas,
em cada móvel, prato ou canjirão
pousado sobre um banco já sem pernas;
em cada colcha antiga de croché
ou de Alcobaça, quando verdadeiras,
das velhas camas tipo D. José;
em tudo quanto dentro de fronteiras
constitui património nacional
palpita… o coração de Portugal!
João de Castro Nunes
sábado, 28 de janeiro de 2012
Como veludo de casula
A minha Poesia não é fogo
que abrasa e queima como a de Camões,
não tem a violência dos vulcões
nem o fulgor dos astros… desde logo.
Não tem do sol a chama abrasadora
que a pele nos bronzeia à beira-mar,
não tem a força do calor da aurora
em dias de verão canicular.
A minha Poesia é de veludo
de seda italiana, quinhentista,
suave ao tacto, deleitando a vista.
Tem dos teus olhos, meu amor, a cor
e do sorriso teu, mais do que tudo,
a cândida expressão do teu pudor!
João de Castro Nunes
que abrasa e queima como a de Camões,
não tem a violência dos vulcões
nem o fulgor dos astros… desde logo.
Não tem do sol a chama abrasadora
que a pele nos bronzeia à beira-mar,
não tem a força do calor da aurora
em dias de verão canicular.
A minha Poesia é de veludo
de seda italiana, quinhentista,
suave ao tacto, deleitando a vista.
Tem dos teus olhos, meu amor, a cor
e do sorriso teu, mais do que tudo,
a cândida expressão do teu pudor!
João de Castro Nunes
Elites... outras
Ao Prof. Amadeu Carvalho Homem
A Portugal, neste momento, agora
faltam, de facto, Insigne Professor,
as chamadas elites, essa flora
que se distingue pela sua flor.
Falta quem nas camadas sociais
de maior nível intelectual
pense nas soluções estruturais
que nos retirem deste lodaçal.
Não é com primarismos descabidos,
com manifestações, com arruadas,
que o país escoa as águas inquinadas.
Como consigo ocorre, vem-me à ideia
aquela selectíssima… assembleia
dos “Vencidos da Vida” hoje esquecidos!
João de Castro Nunes
A Portugal, neste momento, agora
faltam, de facto, Insigne Professor,
as chamadas elites, essa flora
que se distingue pela sua flor.
Falta quem nas camadas sociais
de maior nível intelectual
pense nas soluções estruturais
que nos retirem deste lodaçal.
Não é com primarismos descabidos,
com manifestações, com arruadas,
que o país escoa as águas inquinadas.
Como consigo ocorre, vem-me à ideia
aquela selectíssima… assembleia
dos “Vencidos da Vida” hoje esquecidos!
João de Castro Nunes
Azul e branco
Bandeira azul e branca dos começos
da nacionalidade portuguesa:
tinha tão-só singelamente expressos
os cunhos pessoais da realeza!
Trazida pelo conde borguinhão,
que a recebeu dos seus antepassados,
tornou-se na bandeira da nação
atravessando todos os reinados.
Era de prata o fundo sobre o qual,
pelas quinas depois continuada,
a cruz azul estava “carregada”.
Por ter a cor da Virgem sua Mãe,
que por sinal é a cor do céu também,
esteve sempre Deus com Portugal!
João de Castro Nunes
da nacionalidade portuguesa:
tinha tão-só singelamente expressos
os cunhos pessoais da realeza!
Trazida pelo conde borguinhão,
que a recebeu dos seus antepassados,
tornou-se na bandeira da nação
atravessando todos os reinados.
Era de prata o fundo sobre o qual,
pelas quinas depois continuada,
a cruz azul estava “carregada”.
Por ter a cor da Virgem sua Mãe,
que por sinal é a cor do céu também,
esteve sempre Deus com Portugal!
João de Castro Nunes
Vazio epistolar
(Carta virtual para
Joaquim de Montezuma de Carvalho)
Das suas cartas sinto muita falta,
amigo meu, que Deus a si chamou:
cada manhã, grande pesar me assalta
quando ao cacifo do correio vou.
Contrariamente ao que era habitual,
não há correio seu… quase diário:
longas missivas em papel banal
mas do melhor recorte literário.
Fazia-me contínuas confidências
sobre as mais lamentáveis ocorrências
deste país… em desagregação.
Mas nunca pôs em causa, isso é verdade,
os laços de recíproca afeição
que entre nós houve… por afinidade!
João de Castro Nunes
Joaquim de Montezuma de Carvalho)
Das suas cartas sinto muita falta,
amigo meu, que Deus a si chamou:
cada manhã, grande pesar me assalta
quando ao cacifo do correio vou.
Contrariamente ao que era habitual,
não há correio seu… quase diário:
longas missivas em papel banal
mas do melhor recorte literário.
Fazia-me contínuas confidências
sobre as mais lamentáveis ocorrências
deste país… em desagregação.
Mas nunca pôs em causa, isso é verdade,
os laços de recíproca afeição
que entre nós houve… por afinidade!
João de Castro Nunes
Ventos de império
Ventos de império sopram no ocidente
por terras da Galiza e Portugal,
ventos de vocação “imperial”
que é tão peculiar da nossa gente.
Não dos impérios territoriais
sob as nossas bandeiras governados,
mas sim dos idiomas irmanados
por sons e termos quase em tudo iguais.
Ventos do quinto império da Saudade
que literariamente e na verdade
tem dominado a nossa Poesia.
Deus deite a sua bênção desejada
à fala que nos une e foi usada
por Luís de Camões e Rosalía!
João de Castro Nunes
por terras da Galiza e Portugal,
ventos de vocação “imperial”
que é tão peculiar da nossa gente.
Não dos impérios territoriais
sob as nossas bandeiras governados,
mas sim dos idiomas irmanados
por sons e termos quase em tudo iguais.
Ventos do quinto império da Saudade
que literariamente e na verdade
tem dominado a nossa Poesia.
Deus deite a sua bênção desejada
à fala que nos une e foi usada
por Luís de Camões e Rosalía!
João de Castro Nunes
Neo-sebastianismo
Jovens de Portugal, do meu país,
“à beira-mar plantado”, à cabeceira
da Europa ocidental que foi matriz
ou, por outras palavras, pioneira
do pós-moderno surto do humanismo,
traçai a vossa condição futura
acreditando no sebastianismo
como a superação da criatura!
Perdendo o medo seja do que for,
venha donde vier, da terra ou céu,
e tendo em vista apenas o Amor,
fazei como o Rei fez quando morreu
partindo para a luta à desfilada
alto e bom som bradando: “Ou tudo ou nada!”.
João de Castro Nunes
“à beira-mar plantado”, à cabeceira
da Europa ocidental que foi matriz
ou, por outras palavras, pioneira
do pós-moderno surto do humanismo,
traçai a vossa condição futura
acreditando no sebastianismo
como a superação da criatura!
Perdendo o medo seja do que for,
venha donde vier, da terra ou céu,
e tendo em vista apenas o Amor,
fazei como o Rei fez quando morreu
partindo para a luta à desfilada
alto e bom som bradando: “Ou tudo ou nada!”.
João de Castro Nunes
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