domingo, 22 de janeiro de 2012

Sete-estrelo

Os números possuem, desde logo,
uma certa magia; só que não
batem certo comigo quando jogo
no totoloto ou bingo de salão.

Há números e números: nem todos
têm o mesmo carisma, certamente,
sem para nada depender dos modos
de como os interpreta a nossa mente.

Detesto o nove; o três, vou tolerando;
o treze dá-me sorte, pois foi quando
na vida me enlacei com meu amor.

O número, porém, com mais pendor
para o sucesso… deve ser o sete,
pois até nas estrelas se repete!

João de Castro Nunes

sábado, 21 de janeiro de 2012

"Sábias palavras"

Ao Prof. Amadeu Carvalho Homem

Essas palavras sábias que transcreve
subscritas por três grandes pensadores
assumo-as como textos de escritores
aos quais o seu carácter muito deve.

Isto que digo sem bajulação
de espécie alguma por desnecessária
advém da humanidade extraordinária
que o vejo pôr na sua actuação.

Vossa Excelência, afeito a ensinar,
sabe levar os outros a adoptar
seus ideais de Altura e de Beleza.

Deus ou, se prefere, a Natureza
dotou-o de uma notória inteligência
sem restrições aberta à convivência!

João de Castro Nunes

Saber ouvir

Só não quer escutar a voz do povo
quem não está seguro da razão
e quer impor a sua opinião,
o que não constitui nada de novo.

Há que remar contra esta má tendência
de tudo resolver sem referendo
seja qual for o caso ou diferendo
que esteja em causa face à prepotência.

Dê-se ao povo em questões de discordância
o supremo direito que lhe assiste
de se pronunciar… mesmo à distância.

Depreciar o parecer alheio
é desde logo, quando se persiste,
a mais completa prova de receio!...

João de Castro Nunes

Sangue rubro

Sinto correr nas veias sangue rubro
de heróis tombados de bandeira em punho,
de cujo ardor a história é testemunho
e ante cujos feitos me descubro!

Inveja tenho, digo com franqueza,
da sua glória obtida nas batalhas,
das suas arrancadas em beleza
sob a chuva imparável das metralhas.

Esse não foi, por certo, o meu destino,
condenado a viver na pasmaceira
de uma vida sem gosto nem craveira.

Mas guardo em mim, no sangue que circula
em minhas veias, rubro e genuíno,
esse ar de altura que ninguém macula!

João de Castro Nunes

Gostar de Poesia

Não se aprende a gostar de Poesia
vendo jardins e contemplando estrelas
na abóbada celeste cheia delas
regidas por sinfónica harmonia.

Não se aprende na escola ouvindo ler
ou lendo, por estarem nas selectas,
os versos dos mais célebres poetas,
que nos acabam por… aborrecer.

Aprende-se na vida ao descobrir
a beleza de um riso de criança
que próximos de Deus nos faz sentir.

Aprende-se a gostar quando se alcança
a perfeita aliança, em paridade,
da liberdade com a humanidade!

João de Castro Nunes

O dom de rir

Minha mulher a tudo achava graça:
como criança de alma ainda pura,
em todo o sítio ou em qualquer altura,
de tudo ria, menos da desgraça.

Eram faladas suas gargalhadas
que, atravessando portas e janelas,
faziam ressonância nas estrelas
e eram pelos anjos escutadas!

Se em vez de ser católico romano
eu fosse apenas um pagão profano,
sabeis o que diria a esse respeito?

Que o dom de rir assim, de peito feito
e alma sã, sem ânimo de ofensa,
era dos deuses… uma graça imensa!

João de Castro Nunes

Perenidade

Horacianamente quanto existe
em termos de matéria findará:
o bronze, o aço, tudo quanto há
ao desgaste do tempo não resiste.

Ficarás tu: cantada em meus poemas,
que certamente não desbotarão,
afrontarás os tempos que virão
indiferente aos seus estratagemas.

No firmamento hão-de apagar-se os astros
e das nações as ancestrais bandeiras
hão-de deixar de tremular nos mastros.

Apenas tu, por mais que o tempo faça,
perdurarás de todas as maneiras,
meu sacrossanto amor… cheia de graça!

João de Castro Nunes