À memória de Eugénio de Andrade
Quando um poeta morre, a natureza
apressa-se a mostrar o seu pesar
cobrindo-se de crepes de tristeza
por sua voz deixar de se escutar.
Quando um poeta morre, toda a gente
lamenta a sua perda nos jornais
e passa a dar-lhe imediatamente
lugar no pedestal dos imortais.
Quando um poeta morre, Deus no céu
decreta sempre luto por três dias
caso constate que ele o mereceu.
Quando morre um poeta de verdade,
lembramo-lo nas suas poesias
que património são da Humanidade!
João de Castro Nunes
sábado, 21 de janeiro de 2012
Advogada de defesa
Quando o meu coração já não bater
e o meu corpo for a enterrar,
não rezem missas para sufragar
a minha alma assim que falecer.
Por mim não chorem nem no meu caixão
ponham qualquer espécie de bentinho
porque eu, quando morrer, vou direitinho
ao sítio do meu outro coração.
Está à minha espera com certeza
para me desculpar ante o Senhor,
quando também o meu não bater mais.
Tendo-a por advogada de defesa,
bastar-me-á dizer :”Eu sou o amor
da Maria de Lourdes Guimarães”.
João de Castro Nunes
e o meu corpo for a enterrar,
não rezem missas para sufragar
a minha alma assim que falecer.
Por mim não chorem nem no meu caixão
ponham qualquer espécie de bentinho
porque eu, quando morrer, vou direitinho
ao sítio do meu outro coração.
Está à minha espera com certeza
para me desculpar ante o Senhor,
quando também o meu não bater mais.
Tendo-a por advogada de defesa,
bastar-me-á dizer :”Eu sou o amor
da Maria de Lourdes Guimarães”.
João de Castro Nunes
Quando a tristeza aperta
Quando a tristeza aperta mais comigo
e tudo à minha volta é noite escura,
mais a minha alma busca em Deus abrigo
e à sua beira repousarar procura.
Encontra nele, abertamente o digo,
um sentimento de amizade pura
peculiar de um verdadeiro amigo,
ou seja, sem reservas à mistura.
Tirando esses momentos mais gravosos
em que a tristeza me avassala a mente
com sua acção penosa e deprimente,
cá vou por mim sozinho resolvendo
alguns dos males de que estou sofrendo,
ainda que igualmente dolorosos!
João de Castro Nunes
e tudo à minha volta é noite escura,
mais a minha alma busca em Deus abrigo
e à sua beira repousarar procura.
Encontra nele, abertamente o digo,
um sentimento de amizade pura
peculiar de um verdadeiro amigo,
ou seja, sem reservas à mistura.
Tirando esses momentos mais gravosos
em que a tristeza me avassala a mente
com sua acção penosa e deprimente,
cá vou por mim sozinho resolvendo
alguns dos males de que estou sofrendo,
ainda que igualmente dolorosos!
João de Castro Nunes
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Tenho uma Nossa Senhora
Tenho uma Nossa Senhora
distinta das outras todas
quer por dentro quer por fora
independente das modas.
Não a trago na carteira
como se fosse um postal,
não é de pedra ou madeira,
de porcelana ou cristal..
Para ser apenas minha
trago-a no meu coração,
onde com jeito se aninha.
Não é de ouro nem de prata,
mas tem a minha punção
com o meu nome e a data!
João de Castro Nunes
distinta das outras todas
quer por dentro quer por fora
independente das modas.
Não a trago na carteira
como se fosse um postal,
não é de pedra ou madeira,
de porcelana ou cristal..
Para ser apenas minha
trago-a no meu coração,
onde com jeito se aninha.
Não é de ouro nem de prata,
mas tem a minha punção
com o meu nome e a data!
João de Castro Nunes
Sofia
Beiroa e transmontana nas raízes
com algo de minhota do meu lado,
tenho uma neta a quem tenho augurado
nas suas pretensões… dias felizes.
Tem tudo a seu favor, tanto moral
como fisicamente referindo,
porte elegante, rosto muito lindo,
carácter firme, olhar franco e frontal!
Determinada, inteligente, sã,
ambiciosa e culta, há-de vencer,
espero bem, na vida que escolher!
Docente, deputada, embaixadora,
gestora, magistrada, que sei lá!...
inspire-a a Mãe de Deus, Nossa Senhora!
João de Castro Nunes
com algo de minhota do meu lado,
tenho uma neta a quem tenho augurado
nas suas pretensões… dias felizes.
Tem tudo a seu favor, tanto moral
como fisicamente referindo,
porte elegante, rosto muito lindo,
carácter firme, olhar franco e frontal!
Determinada, inteligente, sã,
ambiciosa e culta, há-de vencer,
espero bem, na vida que escolher!
Docente, deputada, embaixadora,
gestora, magistrada, que sei lá!...
inspire-a a Mãe de Deus, Nossa Senhora!
João de Castro Nunes
Teu nome em cada tronco
Em cada tronco de árvore da mata
da vila de Arganil está gravado
teu nome a canivete, acompanhado,
por sua vez, da respectiva data.
Dentro de um coração metido está
por uma seta perfurado a meio,
em traço fundo, executado a cheio,
que nem a acção do tempo esbaterá.
É como se estivesse num arquivo
de natureza muito especial
por ser de inspiração sentimental.
Por esta forma, ou seja, este motivo,
quem passa o pode ler sem precisão
de folhear as páginas à mão!
João de Castro Nunes
da vila de Arganil está gravado
teu nome a canivete, acompanhado,
por sua vez, da respectiva data.
Dentro de um coração metido está
por uma seta perfurado a meio,
em traço fundo, executado a cheio,
que nem a acção do tempo esbaterá.
É como se estivesse num arquivo
de natureza muito especial
por ser de inspiração sentimental.
Por esta forma, ou seja, este motivo,
quem passa o pode ler sem precisão
de folhear as páginas à mão!
João de Castro Nunes
Só a palavra é nossa
Ao Prof. A. Carvalho Homem
Saudade, muito Ilustre Professor,
não é um sentimento privativo
de nenhum povo por qualquer motivo
que se possa invocar a seu favor.
Já Cícero, o mais clássico escritor
do romano idioma, ainda hoje vivo,
alude a ele como um lenitivo
por Túlia arrebatada ao seu amor.
Tanto nas horas más como nas boas,
todos os povos, todas as pessoas
são susceptíveis desse sentimento.
O que país nenhum tem como nós
é o termo em si, essa tão doce voz
que faz de nós um povo ternurento!
João de Castro Nunes
Saudade, muito Ilustre Professor,
não é um sentimento privativo
de nenhum povo por qualquer motivo
que se possa invocar a seu favor.
Já Cícero, o mais clássico escritor
do romano idioma, ainda hoje vivo,
alude a ele como um lenitivo
por Túlia arrebatada ao seu amor.
Tanto nas horas más como nas boas,
todos os povos, todas as pessoas
são susceptíveis desse sentimento.
O que país nenhum tem como nós
é o termo em si, essa tão doce voz
que faz de nós um povo ternurento!
João de Castro Nunes
Subscrever:
Mensagens (Atom)