Ser poeta é ter a alma a descoberto,
a mente sã de cavaleiro andante;
ser poeta é ter o coração aberto
à presença de Deus em cada instante;
ser poeta é cultivar um grande amor,
a Deus equiparando o ser amado
a ponto de ver nele, lado a lado,
a projecção do próprio Criador;
ser poeta é tudo ser, não sendo nada:
luz cósmica de estrelas ou tão-só
astro cadente... reduzido a pó;
ser poeta é amar de tal maneira ou forma
que, viva ou morta, a criatura amada
em ser divino quase se transforma!
João de Castro Nunes
sábado, 7 de janeiro de 2012
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
"Servir os outros"
Para chegar a Deus da melhor forma,
a um xeque perguntou certo islamita
com boas intenções qual era a norma,
a via, face à lei, mais expedita.
Ele lhe respomdeu sinceramente
que nele próprio estava a solução:
amar como a si próprio toda a gente
sem nenhuma reserva ou excepção.
Nada mais simples, nada mais directo
para Deus alcançar, acrescentou,
esteja ou não prescrito por decreto.
Pois é, diremos nós, o ser humano,
cristão, judeu, budista ou muçulmano,
foi sempre nesse campo que falhou!
João de Castro Nunes
a um xeque perguntou certo islamita
com boas intenções qual era a norma,
a via, face à lei, mais expedita.
Ele lhe respomdeu sinceramente
que nele próprio estava a solução:
amar como a si próprio toda a gente
sem nenhuma reserva ou excepção.
Nada mais simples, nada mais directo
para Deus alcançar, acrescentou,
esteja ou não prescrito por decreto.
Pois é, diremos nós, o ser humano,
cristão, judeu, budista ou muçulmano,
foi sempre nesse campo que falhou!
João de Castro Nunes
Sentir a poesia
Nem toda a gente habilitada está
a apreciar a vera poesia,
que exige uma alma sensitiva e sã
a par de um certo gosto da harmonia.
Confunde-se por vezes, sem razão,
com certa prosa, ainda que rimada,
por não se possuir a percepção
da sua identidade autenticada.
Não é questão, digamos, de cultura
ou ter conhecimentos específicos
nos mais diversos ramos científicos.
É mais do que isso ou menos porventura:
é deixar-se vencer pela pureza
de tudo quanto é bom na natureza!
João de Castro Nunes
a apreciar a vera poesia,
que exige uma alma sensitiva e sã
a par de um certo gosto da harmonia.
Confunde-se por vezes, sem razão,
com certa prosa, ainda que rimada,
por não se possuir a percepção
da sua identidade autenticada.
Não é questão, digamos, de cultura
ou ter conhecimentos específicos
nos mais diversos ramos científicos.
É mais do que isso ou menos porventura:
é deixar-se vencer pela pureza
de tudo quanto é bom na natureza!
João de Castro Nunes
Sensibilidades
Escreva cada qual como quiser,
à Fernando Pessoa ou José Régio,
que eu para mim só quero o privilégio
de me expressar da forma que entender.
Nada de trocadilhos enfeixados
a simular profundos pensamentos,
e muito menos sórdidos, nojentos,
vocábulos ou termos conspurcados.
Se pensa alguém que a Arte verdadeira,
no que respeito diz à Poesia,
consiste em proceder dessa maneira,
longe me encontro dessa teoria
pois me repugna tudo quanto cheira
a esterco, lixo, estrume e porcaria!
João de Castro Nunes
à Fernando Pessoa ou José Régio,
que eu para mim só quero o privilégio
de me expressar da forma que entender.
Nada de trocadilhos enfeixados
a simular profundos pensamentos,
e muito menos sórdidos, nojentos,
vocábulos ou termos conspurcados.
Se pensa alguém que a Arte verdadeira,
no que respeito diz à Poesia,
consiste em proceder dessa maneira,
longe me encontro dessa teoria
pois me repugna tudo quanto cheira
a esterco, lixo, estrume e porcaria!
João de Castro Nunes
O quarto rei mago
Além dos três reis magos que vieram,
guiados por um astro refulgente,
das remotas paragens do oriente
e no berço a Jesus ofereceram
incenso, mirra e ouro em homenagem
ao Rei do mundo como Deus e Homem,
há lendas, que nos séculos se somem,
que falam de uma quarta personagem.
Era um monarca russo conhecido
pela sua bondade e que partiu
repleto de riquezas... que ia dando
pelo caminho aos pobres que ia achando,
de modo que Jesus, enternecidoido,
vendo-o chegar sem nada... lhe sorriu!
João de Castro Nunes
guiados por um astro refulgente,
das remotas paragens do oriente
e no berço a Jesus ofereceram
incenso, mirra e ouro em homenagem
ao Rei do mundo como Deus e Homem,
há lendas, que nos séculos se somem,
que falam de uma quarta personagem.
Era um monarca russo conhecido
pela sua bondade e que partiu
repleto de riquezas... que ia dando
pelo caminho aos pobres que ia achando,
de modo que Jesus, enternecidoido,
vendo-o chegar sem nada... lhe sorriu!
João de Castro Nunes
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
A minha vez
Nada é pior do que sofrer de amor,
tratando-se aliás de uma evidência
que tem sua raiz na experiência
de qualquer um de nós, seja quem for!
Não é de agora só que isto acontece
nem de nenhuma idade é privativo,
tanto do jovem sendo atribuivativo
como do ser humano que envelhece.
Chegou também meu caso inevitável
com a agravante, que iludir não posso,
de ser o próprio Deus o responsável.
Se nos deixou constituir um lar
tão firme desde logo como o nosso,
que tinha Ele que te vir buscar?!
João de Castro Nunes
tratando-se aliás de uma evidência
que tem sua raiz na experiência
de qualquer um de nós, seja quem for!
Não é de agora só que isto acontece
nem de nenhuma idade é privativo,
tanto do jovem sendo atribuivativo
como do ser humano que envelhece.
Chegou também meu caso inevitável
com a agravante, que iludir não posso,
de ser o próprio Deus o responsável.
Se nos deixou constituir um lar
tão firme desde logo como o nosso,
que tinha Ele que te vir buscar?!
João de Castro Nunes
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
"Ecos del eco de tu voz"
(Sob a inspiração de Homero Manzi)
Para escutar o som da tua fala
que das estrelas chega aos meus ouvidos
num tom de voz que outra nenhuma iguala
isolo-me de todos os ruídos.
O disco que tocava quando então
a caminho de Deus te dirigiste
ficou a meio, ao canto do salão,
e nesse estado, sem girar, persiste.
Envolve-me um silêncio ambiental,
calaram-se dos netos e bisnetos
os inocentes risos de cristal
para que a tua voz possa chegar
aos meus ouvidos através dos tectos,
das portas e janelas do solar!
João de Castro Nunes
Para escutar o som da tua fala
que das estrelas chega aos meus ouvidos
num tom de voz que outra nenhuma iguala
isolo-me de todos os ruídos.
O disco que tocava quando então
a caminho de Deus te dirigiste
ficou a meio, ao canto do salão,
e nesse estado, sem girar, persiste.
Envolve-me um silêncio ambiental,
calaram-se dos netos e bisnetos
os inocentes risos de cristal
para que a tua voz possa chegar
aos meus ouvidos através dos tectos,
das portas e janelas do solar!
João de Castro Nunes
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